O que escrever para começar minha parte neste blog? Minha vontade era de escrever algo bonito, profundo, inteligente, algo que realmente tocasse meu leitor, como os textos absolutamente instigantes de meus colegas. No entanto, resolvi abandonar a vontade e escrever alguma coisa sem tantas pretensões. E seguem então minhas palavras sobre um pensamento clichê que tive esses dias. E quem disse que pensamentos clichês são de todo ruins?
Lá estava eu na cozinha de minha casa. Tomando café da tarde com minha mãe. Ela, com uma simpática touca, estava pintando o cabelo (velha, coitada). Eu, de pijama (ocioso, sortudo). Bom, não importam as roupas. O que importa é que a gente tava comendo bisnaguinhas. Na verdade, na verdade, não eram bem as bisnaguinhas que importavam, mas o pacote. Tá! Não era bem o pacote, mas o prendedor que o segurava. Sabe quando você abre um pacote de algum alimento e não termina de comer, e depois fecha o pacote com um prendedor (coisa tosca, mas que todo mundo faz)? Pois é, isso mesmo, é o prendedor vermelho que fechava o pacote que importa.
O fato é que eu me lembrei de quando era criança. Era (sou) um moleque bastante metódico. Influenciado por aqueles antigos seriados japoneses de luta (tokusatsu, para os mais esclarecidos – Jaspion, Flashman, Changeman…), adorava brincar de luta com meus bonequinhos. E, sendo metódico, minhas brincadeiras eram metódicas. A cozinha da casa era a base secreta do mal; a sala, quartel general das forças do bem; o quintal era a cidade, campo onde as incríveis, decisivas e excitantes batalhas entre as forças opostas aconteciam. Ficava irritado quando meus pais ou minha irmã passavam pelos cenários ou para buscar comida na geladeira ou para guardar qualquer coisa na gaveta. Estavam desorganizando meu mundo! Aliás, meu mundo durava mais ou menos meia hora, tempo padrão de um episódio daqueles seriados. Após isso, guardava todos meus brinquedos e ficava pensando no que fazer no próximo capítulo, somente no outro dia.
“Lembra, mãe, quando eu brincava com meus bonequinhos pela casa inteira? Engraçado como fazia qualquer coisa virar um inimigo, uma personagem… olha esse prendedor. Era o terrível monstro-piranha. Hoje é só um prendedor vermelho”.
“Bom ser criança. Criança tem uma grande imaginação”, resumiu minha mãe o pensamento que eu acabara de ter.
Enfim, poderia desenvolver o tema e ficar divagando sobre se as crianças de hoje ainda criam terríveis monstros-piranha ou se somente brincam com seus Playstations, Wiis e PSPs, que criam mundos para elas. Mas ando sem imaginação. Basta, portanto, o tributo ao meu pensamento clichê.

