TodoTexto

“Os livros talvez não alterem nosso sofrimento, talvez não nos protejam do mal, talvez não nos digam o que é bom ou é belo, e, certamente, não nos resguardam do fado comum da sepultura. Mas livros nos dão a possibilidade de tais coisas” – Alberto Manguel

Roberto Bolaño Julho 8, 2008

Arquivado em: literatura contemporânea — Bruna Guerra @ 11:37 pm

Para ser metalingüísta
Quando esse TodoTexto foi inaugurado, fiquei matutando sobre com o que começaria o meu “bloco”. Alguns sugeriram que eu postasse um artigo que escrevi (do qual discordo um pouco atualmente), mas achei que nenhum leitor de blogs (público contemporâneo e imediatista) teria paciência de ler o equivalente a dez páginas de um trabalho acadêmico, repleto de citações e notas de rodapé. Ok. Depois de tantos rodeios, devo finalmente dizer: eu estudo a obra de Roberto Bolaño, e o artigo que citei é sobre ele.

 

Roberto Bolaño
Roberto Bolaño não dispensa apresentações. Ele não tem um nome ressoante como do nosso Machado de Assis, nem como do hermano Borges. Quando cito o nome de Roberto Bolaño quase sempre perguntam quem ele é, ou então me olham com um sorriso maroto e dizem, como que acertando-na-mosca: “Ahhh! É o Chaves!”. Roberto Bolaño, felizmente, não é Roberto Gómez Bolaños, não que eu não goste do nostálgico Chaves -de fato gosto-, mas em termos intelectuais, fico com o primeiro nome. Sem uma fortuna crítica digna de um Drummond de Andrade, sua apresentação é necessária antes que eu comece a afogar o blog com coisas sobre ele. Sucintamente: chileno de nascimento, juventude no México, fuga da prisão após o golpe militar de Pinochet, viagens pelo mundo, fim da vida na Espanha. Tudo bem descrito em seu Los Detectives Salvajes. Mas, calma… Você pode vir me dizer: romance é romance, biografia é biografia, mas…

Por mais que eu tente fugir de biografismos, “contra fatos não há argumentos”: lá está a vida de Bolaño em seu Rómulo Gallego Los Detectives Salvajes (e outras obras). Já diria a pop Análise do Discurso que as condições de produção proporcionam isso, mas bem mais que invocar Enis Orlandis, Pechêuxs,  Mainguenaus e o camarada Freud com sua psicanálise, acredito que Bolaño participe de um fenômeno literário latino-americano contemporâneo chamado hibridismo, muito bem trabalhado em um texto de de Rafael GIRALDO¹.
Eis que páro por aqui, meio abruptamente, para não esgotar os senhores nem o assunto.

E se você ficou curioso e pretende conhecer a obra de Roberto Bolaño, alguns dos seus livros já têm tradução brasileira pela Companhia das Letras.

Os Detetives Selvagens Noturno no Chile 

A Pista de Gelo Putas Assassinas

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¹) GIRALDO, Rafael E. G. Romances híbridos e crítica ficcional na narrativa contemporânea latino-americana: o caso de Roberto Bolaño. Gragoatá. Niterói, n.22, p.179-190, 1.sem.2007.