vaias, bolas de papéis e pedaços de madeira para “É proibido proibir”, em 68.
(foto: Jornal do Brasil)
Em setembro, fez quarenta anos de uma das vaias mais produtivas da história desse país: a que o Caetano levou no Festival Internacional da Canção (FIC), no auditório da PUC-RJ, em 1968, quando cantou “É proibido proibir“. A história da música é linda. O Caetano viu uma fotografia de uma parede pinchada nos protestos do maio parisiense, com o paradoxo: “Il est interdit d’interdire”. Ficou com a frase na cabeça e quando o Guilherme Araújo ficou sabendo disso, obrigou-o a fazer uma canção com a frase. Foi o Guilherme também que insistiu com o Caetano para ele entrar no FIC daquele ano e inscrever a música. “É proibido proibir” chegou às semi-finais. O Caê resolveu, então, tocar a música com os Mutantes: o Rogério Drupat fez arranjos eletrônicos e esquisitíssimos, que mais pareciam gritos desesperados – nada mais apropriado à idéia da música. Assim que entrou no palco, o Caetano já começou a ser vaiado de costas; o pessoal dos Mutantes não deixou por menos: viraram e começaram a tocar também de costas pra platéia. O Caetano ignorou e começou a cantar sua melodia ternária:
A mãe da virgem diz que não
E o anúncio da televisão
E estava escrito no portão
E o maestro ergueu o dedo
E além da porta,
há o porteiro, sim…
E eu digo não,
Eu digo não ao não…
A platéia virou pro palco e começou a tacar papel, papelão, pedaços de madeira no Caetano, que exaltado produziu um dos sermões mais perfeitos que eu já vi e que é um resumo de toda a patética juventude daquele tempo – época, aliás, que muitos idiotinhas de plantão gostam de proclamar como o tempo da juventude-inteligente-engajada; que nada… eram uns grandíssimos imbecis, que pregavam liberdade, mas eram censores artisticamente analfabetos- divago: volto à reação do Caetano, que basta:
Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir esse ano uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado… São a mesma juventude e vão sempre, sempre matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem. Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada. Vocês estão por fora. Vocês não vão vencer. Mas que juventude é essa? Vocês são iguais sabem a quem? Àqueles que foram no Roda Viva e espancaram os atores… Vocês não diferem em nada deles. Estão querendo policiar a música brasileira. Gilberto Gil está aqui comigo pra gente acabar com toda a imbecilidade que reina no Brasil.
E pra arrematar, a frase que deveria ser emoldurada:
Se vocês forem em política como são em estética, estamos feitos…

É, mas o rapaz da foto tem feito muit M… também,