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“Os livros talvez não alterem nosso sofrimento, talvez não nos protejam do mal, talvez não nos digam o que é bom ou é belo, e, certamente, não nos resguardam do fado comum da sepultura. Mas livros nos dão a possibilidade de tais coisas” - Alberto Manguel

Editorial

todaletra @

 

Não faz muito tempo, os profetas-do-apocalipse-de-plantão decretavam: o reinado da cultura letrada estava chegando ao seu fim. A internet, a busca pela informação rápida, as pressões do mundo contemporâneo sobre o sujeito reduziriam a leitura ao pragmatismo: uma placa com o nome de uma rua, um contato na agenda do telefone, um e-mail, desde que escrito com abreviações. No entanto, cá estamos: século XXI, ou melhor, 21, globalização triunfante, sociedade de consumo.  E, como sempre foi desde que o mundo-é-mundo, o Apocalipse de uns é o Paraíso de outros: a internet, a despeito da pedofilia, da zoofilia e da banalidade, serve também (!) à leitura.

 Claro que sempre estarão por aí os saudosistas a reclamar, pois antigamente é que se lia e essa juventude já não quer saber mais de ler.  Pode até ser.  Mas a questão é que aqui e ali, bem ou mal, a leitura persiste. É mesmo de se perguntar: por que cargas d’água um grupo de pessoas cria um site para falar da leitura e de suas leituras?. Bando de desocupados? Talvez o predicado tenha lá um pouco de verdade. Mas arriscamos duas outras explicações: Primeiro, porque nunca foi tão fácil ler: e-books, grandes livrarias, blogs, jornais a 50 centavos. Segundo, porque o exercício de ler tem qualquer coisa de satisfatório: “Ler bem é um dos grandes prazeres da solidão”, escreveu Harold Bloom no seu Como e por que ler, um livro cujo sucesso de vendas deveria nos falar alguma coisa sobre a demanda  pela leitura.

Há quem diga que ler engrandece a alma. Outros, que a leitura deve servir como um instrumento de revolução social. Bobagem. Ler não resolve a vida de ninguém. Por isso, sem pretender conceder à leitura um poder  que ela não tem, o TodoTexto nasce muito mais como uma proposta (despretenciosa): pessoas que lêem, escrevendo sobre aquilo que lêem.